Sindicatos marcam presença no Pautar Brasil em defesa dos empregados em Conselhos
O Pautar Brasil foi marcado com a discursão dos Conselhos contra a realização de Concursos Publicos para contratação de seus empregados. Tendo em vista a falta de domocratização e de dialogo entre Conselhos e Trabalhadores diversos Sindicatos do Brasil realizaram um ato no Pautar Brasil. Veja abaixo o manifesto entregue aos presentes:
Senhores e Senhoras participantes do Pautar Brasil;
Este MANIFESTO, dirigido aos participantes do Pautar
Brasil, tem o propósito de, mesmo sem convite, colocar em debate ou reflexão de
questões que dizem respeito aos funcionários da categoria da base das entidades
abaixo descritas.
Lamentamos a falta do convite, pois a presença das
representações sindicais seria uma excelente oportunidade para enriquecer o
debate e colocar pontos de vista diferentes ou divergentes que seja, mas
fundamental para a discussão de temas que também nos dizem respeito, assim como
a todo o conjunto de funcionários e funcionárias de Conselhos e Ordens de
Fiscalização.
Não desejaríamos impor nossa vontade e sim compreender
algumas dinâmicas, atuações e posturas que têm como prática contrariar o
discurso junto à sociedade civil organizada.
Nossas Entidades tem como estratégia de atuação
envolver todas as autarquias nos debates e questões que dizem respeito à
fiscalização profissional para que as soluções dos problemas sejam estabelecidas
conjunta e democraticamente.
Foi com este ideal que, em 2001, na primeira versão do
Fórum Social Mundial, realizamos uma oficina para tratar do papel social e
legal dos Conselhos e Ordens. O público alvo era justamente os conselheiros,
profissionais, estudantes e servidores das autarquias, resultando em um número
expressivo de participantes. E assim tem sido até hoje, com o envolvimento de
todos os Conselhos e Ordens em nossos debates regionais ou em nível nacional.
Os Sindicatos de trabalhadores em Conselhos sempre
tiveram por princípio não só a organização dos trabalhadores da categoria, mas
a valorização do papel fiscalizador e social dessas importantes entidades em
que trabalhamos, principalmente a partir dos anos 90, quando as privatizações e
a desregulamentação profissional se intensificaram no governo FHC. Neste
contexto, a atuação de nossas Entidades também foi decisiva para que o Supremo
Tribunal Federal definisse os Conselhos/Ordens como autarquias federais. Outra
ação importante foi em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal. Por nossa
atuação direta, o Tribunal de Contas da União esclareceu que a LRF não se
aplica aos Conselhos e Ordens.
Alijar as entidades e os trabalhadores desse debate é
uma atitude autoritária que não condiz com o verdadeiro papel social dessas
entidades, como organismos públicos e de relevantes serviços prestados à
sociedade. Ignorar a nossa participação como agentes que colaboram, propõe e
implementam ações públicas beira a arrogância de tempos que imaginávamos esquecidos
no limbo da história recente do país. É a desvalorização de profissionais
qualificados e fundamentais para as atividades dessas entidades.
Diante disso, reafirmamos mais uma vez a nossa defesa
do concurso público, contrariando muitos gestores que torcem o nariz para
qualquer princípio de legalidade, usando entidades públicas como propriedades
privadas, comportando-se como generais e algozes de direitos elementares. O
concurso público é matéria superada no STF, mas o desrespeito é a rotina de
muitos gestores que ignoram os sindicatos, se recusam em negociar, não assinam
acordo, demitem indiscriminadamente e devem sentir falta dos dirigentes
indicados como prepostos dos generais.
Por isso, gostaríamos que a reflexão fosse a tônica do
debate. O tom agressivo deste manifesto se justifica pelos inúmeros casos de
assédio moral e desrespeito verificados nos locais de trabalho, inclusive
daqueles que deveriam cuidar das mentes. São os que mais as atacam fragilizando
vidas e destruindo esperanças. Como diz o ditado: Casa de Ferreiro, Espeto de
Pau.
Pedimos compreensão aos gestores que primam pela
democracia, que zelam pelas relações solidárias e profissionais, sem invadir o
campo pessoal, sem atacar ou agredir. São poucos, mas são valorosos e a nossa
esperança de construir futuramente um diálogo aberto, franco, democrático
visando o avanço, o fortalecimento e a construção de conselhos e ordens de
fiscalização que cumpram a finalidade para os quais foram criados em sua
amplitude.