Seg, 05 de Outubro de 2009 03:06
Para expor, fiz um breve levantamento sobre a situação do sindicalismo brasileiro.
Vou reproduzir aqui alguns dados:
1) O
número de trabalhadores filiados a sindicatos no país cresceu 13% de
abril a dezembro do ano passado, passando de 4,285 milhões para 4,838
milhões. Segundo o último levantamento do Ministério do Trabalho (MTE),
553.362 trabalhadores se associaram a entidades sindicais nesse período
de apenas oito meses. A expansão da sindicalização é reflexo,
sobretudo, do aumento no número de empregos com carteira assinada -
1,452 milhão de vagas foram abertas no Brasil em 2008.
2) Os sindicalizados representam 25% do total de trabalhadores PEA.
3) No
levantamento do ministério, o número de sindicatos independentes (sem
filiação) caiu no período avaliado - de 4.170 para 3.675. Só a CUT
(Central Única dos Trabalhadores) teve sob sua representatividade 244
mil novos trabalhadores filiados, além de 54 sindicatos a mais. Com a
Força Sindical, ocorre o fenômeno inverso - uma adesão mais expressiva
de entidades (206) do que de trabalhadores (105,5 mil).
4) Os
setores de educação e saúde apresentam um porcentual de sindicalizados
muito superior ao registrado na indústria e no comércio. O porcentual
de sindicalizados foi maior no grupamento da educação, saúde e serviços
sociais (28,6%, no início desta década), vindo em seguida a da
administração pública (26,1%). A indústria chega bem atrás, com 20,3% e
o comércio, com 10,3%.
Contudo,
há problemas. Citei os que grande parte dos movimentos sociais e redes
destacam em relação ao sindicalismo de trabalhadores do país:
1.
Partidarização. No Brasil cada central está nitidamente vinculada a um
partido. Na Europa, a vitória dos socialistas em Portugal e da
social-democracia alemã está intimamente vinculada à retomada da
organização sindical em seus países;
2.
Fortalecimento do neo-corporativismo, chegando a confundir a pauta das
centrais com a do governo. O governo federal torna-se o principal
interlocutor das centrais, tal como ocorria com as confederações no
período pré-golpe militar.
3.
Cupulismo (centrais sindicais assumem negociações em detrimento dos
sindicatos, como estava previsto na reforma sindical) e dependência
governamental;
4.
Consequentemente, abandono da organização no local de trabalho,
aumentando o divórcio entre a linguagem dos dirigentes e o da base
sindical.
Ruda Ricci - Sociólogo