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Brasília tem jeito!
 
Por Luiz Aparecido*, no Congresso em Foco

Muita gente ainda está atarantada com os acontecimentos que abalaram as estruturas da política de Brasília. O chamado "mensalão do DEM", denunciado por gente do próprio governo Arruda, flagrou do governador a secretários de Estado e deputados distritais da base governista recebendo dinheiro de propina pelas mãos de Durval Barbosa, então secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal.

O escândalo mobilizou quem faz política a sério na capital federal, o Ministério Público, a OAB e entidades da sociedade civil e partidos oposicionistas.

Mas quem fez barulho mesmo e foi para a rua mobilizar o povo foi a juventude, principalmente aquela ligada a partidos de esquerda como PCdoB, parte do PT, PSol e PSTU, ou à UNE, UJS e outras entidades.

A mobilização "Fora Aruda" arrefeceu um pouco com as festas de fim de ano, mas parece que voltam mais acirradas e organizadas agora. Considero que essas manifestações devem ser ampliadas e procurar envolver as massas que decidem, esclarecendo o povo pobre da periferia das cidades satélites, principal base popular de apoio governista.

Sem esse povo na luta, não se irá a lugar nenhum, porque será uma minoria nas ruas gritando "Fora Aruda", mas nas eleições o "povão" vai lá e vota no ex-governador Joaquim Roriz ou num candidato apoiado por Arruda.

O que fazer
É preciso copiar milhões de vídeos/DVDs das imagens do escândalo, distribuir ao povo pobre das periferias e realizar mutirões de visitas a esses lugares para conversar com a população e explicar as causas do escândalo.

Só uma mobilização massiva e permanente pode criar as condições de se articular uma base política forte para derrotar essa corja de corruptos populistas que domina a cena política brasiliense há décadas. Não se pode esquecer que a corrupção agora denunciada tem origem no governo Roriz. Arruda e seus aliados são filhotes do mesmo ovo da serpente.

Não é hora para exclusivismo nem dogmatismo. Quem está nas ruas protestando é que deve ser a base da aliança política que pode derrotar o populismo de Roriz/Arruda e seus asseclas. Ficarão na mente do povo exemplos vacilantes e covardes como do ex-ministro e ex-deputado Agnelo Queiroz, que oportunisticamente deixou o PCdoB (onde construiu sua vida política) para entrar no PT, onde lhe prometeram a vaga de candidato a governador.

Dois meses antes de o escândalo vir a tona, ele já sabia de tudo, havia visto os vídeos mostrando a corrupção e ficou calado. Isso é grave e desqualifica uma figura que se dispõe a derrotar o esquemão que domina o Distrito Federal.

Somar forças e ir ao povo!
Se a mobilização continuar e se ampliar, incluindo parcelas significativas das massas das periferias e se houver coragem para costurar alianças com quem está na luta e escolher o nome certo, que una essas forças, é possível ganhar as eleições de outubro e construir um governo democrático e popular no Distrito Federal.

Pode parecer loucura, mas acredito que possa daí surgir uma aliança pela base (que arrastaria as cúpulas), envolvendo PCdoB, parcelas significativas do PT, gente do PDT e do PSB, e, principalmente, do PSol, PSTU e PV.

Só assim o sistema montado há décadas no DF para iludir o povo, destruir o projeto arquitetônico/humanista e roubar dinheiro público poderá ser derrotado nas urnas. Projetos exclusivistas - como o PT sempre quer montar, monopolizando cabeça, tronco e membros da chapa -, aventuras individuais de partidos nanicos e sem base social ou alianças de cúpulas dos partidos oposicionistas tendem a fracassar.

A direita corrupta vai se unir e novamente, enganando o povo pobre e carente das periferias, ganhará as eleições.

Por isso, é preciso desprendimento, clareza de objetivos e se inserir no seio do povão, para derrotar a corja populista e corrupta. E volto, sem medo de errar, a indicar que há um político em Brasília capaz de derrotar o DEM e o demo.

É Orlando Carrielo (PSTU), que já foi candidato a governador, é um homem de esquerda honesto e desprendido e pode, se não houver preconceito de nenhuma das forças envolvidas nesse projeto de salvação do Distrito Federal, ganhar as eleições e expulsar de vez essa corja que domina o cenário de poder da capital do país. Se houver outro nome no seio da esquerda combativa de Brasília, capaz de desempenhar essa tarefa hercúlea, que apareça. A hora é agora.

Pode ser o nascimento de uma nova força política inserida no povo e com grandeza suficiente para acabar com o preconceito, que há tanto tempo derrota internamente a esquerda. Há que se mergulhar no seio das massas despossuídas que se transformaram em reféns dos populistas de direita. Vamos construir uma aliança imbatível com quem está hoje nas ruas combatendo Arruda e sua corja!

(*) Jornalista, foi dirigente do PCdoB e exerceu diversos cargos nos setores público e privado, em Brasília, em São Paulo (seu estado de origem) e no Espírito Santo (onde vive atualmente)
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